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Viajar com bebê…

Meu pobre bloguitchu de viagens… ficou totalmente rejeitado e esquecido durante quase 1 ano porque eu me tornei mãe. Sim, clap, clap, parabéns! Minha bebê é linda, tem quase 15 meses e lindos olhos azuis que me causam certo embaraço, já que nem eu e nem meu marido temos olhos claros. Ooops! Mas não pense, você, amigo leitor, que ela foi uma pulada de cerca na Bélgica ou em Londres  (Não, nunca saberemos onde ela foi feita… ), o que se passa é que meu pai e a minha sogra tem olhos claros. Mas até explicar a todo fofoqueiro que pergunta na rua de onde saíram os olhos…

Enfim, voltando ao assunto, esse será um post sobre algo que eu pesquisei muito na net e não encontrei muita coisa: COMO VIAJAR COM UM BEBÊ (ou 2, ou 3… ) Vou contar as minhas experiências e tentar falar do óbvio, porque mães de primeira viagem não sabem o óbvio. Por exemplo, pode levar car seat (cadeirinha auto? é assim que se fala?) e carrinho no avião de graça. Não vai pagar sobrepeso e nem nada. Pesquisei, pesquisei e não achava ninguém que me falasse isso. Ok, vamos por partes:

- Membros da Equipe- Se puder, evitar viajar sozinho. Só o Senhor! Não sei como alguém conseguirá trocar um bebê nos minúsculos banheiros de avião sozinho! E também cuidar da papelada, ticket, passaporte, e mais revistas de segurança… Quem já viajou sozinho com bebê: Parabéns! Você é mais phoda que o MacGyver! (esse xiste é só pra quem tem mais de 30… sorry!)

- Cadeirinha de carro e carrinho – vão de graça, vc tem a opção de levar os 2 dentro da cabine do avião, ou despachar com as malas. Se você comprar um assento exclusivo para o seu bebê, vc pode colocar a cadeirinha de carro no assento dentro do avião. (É bom confirmar com a empresa, mas há essa possibilidade) O carrinho, eu sempre levo até a porta do avião, porque, believe me, vc pode precisar dele até  o último minuto. O procedimento é, entrega o carrinho na porta do avião e ele será entregue ou na saída do avião, ou na esteira junto com as malas. Pergunte quando entregar o seu carrinho onde ele sairá. E… esteja aberto a mudanças! As vezes eles dizem uma coisa na sua partida e chegando lá, não está onde eles disseram que estaria. Não se apavore, vá no guichê da empresa e pergunte pra onde mandaram o seu carrinho (já tive que fazer isso) e reze para que não tenham sumido com ela. Nunca aconteceu comigo, mas já vi acontecer com outras pessoas (um vôo de Nova Iorque pro Rio).

Quanto ao modelo do carrinho, é sempre bom um estilo Maclaren (fechamento guarda-chuva). Aqueles de 3 rodas, ou enormes, não funcionam muito bem. Se vc tem um desses, vale comprar um carrinho baratinho pra viajar. O meu não é de fechamento guarda-chuva, mas eh um da chicco bem compacto qdo fechado e confortável pra bebê.

- Passagens – Achou que o seu bebê ia viajar de graça? ha ha Ledo engano! Você paga uma porcentagem a mais na sua própria passagem, se você for viajar com ele no colo, acho que é tipo 20% a mais no valor da sua passagem. Sorry, não lembro exatamente. Se vc resolver comprar um assento para o bebê, tem desconto, não pagará o valor total que um adulto pagaria. E a partir dos 2 anos, não tem mais opção de viajar no colo, terá mesmo que pagar uma passagem para a criança, com o mesmo descontinho que mencionei, digamos, uma passagem que custaria 800 libras, sairá por uns 600.

- Local de assento – Se você não for pagar pro seu filho ter um assento só dele, vale a pena se informar com a empresa aérea se há assento especiais pra pais (geralmente são os da frente da fileira da sua classe) ou, se não houver, às vezes tem a possibilidade de pagar um pouco a mais para ir na frente, naqueles assentos que tem mais espaço pras pernas (a TAM faz isso).  Se você estiver com dinheiro sobrando, vá na melhor classe que você puder. Viajar com conforto não tem preço.

- Comida no avião- Bebê pode tudo! Ou quase! Aquela regra dos 200 ml de líquido não vale pros bebês. Você pode levar a comida que o bebê for precisar no avião (bom até levar um pouco mais, nunca se sabe…). Só não esqueça de colocar todos os alimentos, digamos ‘molhados’, leite, papinha, o que for,  separado para colocar no saquinho transparente e mostrar a segurança. (Já tive que ficar catando uma garrafinha de leite jogada na mochila pq eles viaram ‘OOOO LIQUÍDO’ na televisãozinha. Depois passaram até um produto pra ver se tinha algum resíduo de pólvora ou explosivo na minha mochila! É, o povo enche o saco mesmo com segurança e não poupam ninguém)

- Bagagem – Mesmo o bebê que não paga assento, tem direito a 1 mala, além da mala do adulto, mais o direito de levar o carrinho e o assento de carro (nossa! Quantos nomes eu já dei pro car seat nesse post!????). E o bebê que comprou assento, tem direito ao mesmo número de malas que um ticket normal daria a um adulto.

- Tralha pra levar – ahhhhhh isso daria um post exclusivo. (Se me pedirem ate escrevo um! haha) Falo ou não falo? Bem, cada um sabe do que o seu bebê precisa, da duração da sua viagem, de o quão fácil vai ser de achar coisas de bebê para comprar no local de destino… Maaaas, tenho umas dicas, bebês pequenininhos que só mamam leite: se você amamenta exclusivamente, YUPI! A comida está sempre pronta e na temperatura certa, não precisa levar nada. Se você dá mamadeira, não esqueça de pensar em como vai esterelizar as mamadeiras quando estiver ‘in transit’. Na Inglaterra, vende-se leite (formula) já pronto, uma maravilha! Levei um monte de garrafinhas na mala pro Brasil (porque lá não se vende…) , se vc está no Brasil, vai lá e leva a aguinha já fervida num frasco próprio pra isso, garrafa térmica, algo assim, e o pózinho separado em pequenos potinhos pra vcs só misturar no avião. De resto, pro avião, pra bebês que comem, ou não, muitos lenços umedecidos, fraldinhas de pano pra limpar, babadores, toda essa parafernália. Pra quem vai ficar um tempinho, é bom investir num berço de viagem. Eu comprei um tipo tendinha com proteção solar e foi ótimo pra lugares com mosquito (já tem a tela) e também pra praia. Mas esse ano acabei comprando um daqueles grandões, pq vai servir de ‘chiqueirinho’ quando não der pra correr atrás dela. É só deixar ela brincando dentro dele.

Não se esqueça de levar, para os maiores de 6 meses, um brinquedinho novo, ou algo diferente, pra criança brincar e se entreter no aeroporto/ avião!

Uma parada que eu adoro pra viajar é o baby carrier. Tem do tipo baby bjorn e o tipo mochila. Eu tive o baby bjorn só pq achava cool, mas gosto mesmo é do ergo, o que eu uso agora. Nada melhor que ele para andar no aeroporto, levar o bebê pra trocar, andar pra cima e pra baixo nos corredores do avião. Vide abaixo bebê feliz no ergo na praia  e também fazendo um tour no palácio de versailles (onde não podia entrar de carrinho) 

Cadê o bebê???

Tem mais mil e 300 coisas que poderia falar pra levar, vai ficar pra um outro post… é história pra mais de metro, sô.

- E, por último, se for possível, tente fazer o VÔO DA NOITE! Por que? Por que os bebês dorme que é uma beleza no avião! Até os médicos recomendam, principalmente em vôos longos. Se for um vôo curto, fazê-lo no horário da soneca da tarde/manhã (dependendo dos horários do seu bebê) seria uma boa idéia.

Espero ter ajudado alguma alma necessitada que, como eu já estive, está em algum lugar do mundo panicking com a sua primeira viagem com bebê. Ah, e vale a pena viajar com seu bebê, é muito legal ver a reação das criançinhas aos novos lugares e, na minha experiência, todas as vezes, meu bebê se adaptou muito melhor do que eu tinha imaginado. Não tive nenhum problema meeeeesmo! Boa viagem a todos! Boa Viagem!

Nas terras do Sheikh

Essa semana o maridão escreveu no google o próprio nome e não é que encontrou uma foto tirada em Dubai, no trabalho com três amigos que fizemos lá. Desconfio que a foto tenha sido publicada no blog de um amigo nosso, o Dubai Futebol Clube. Daí, uma coisa leva a outra, uma lembrança puxa outra…

Pois bem, como recordar é viver, e uma amiga nossa está em fase de renovação de visto, aqui na Inglaterra mesmo, estávamos conversando outro dia sobre a saga que foi tirar o meu visto de residência em Dubai, e resolvi contar a história aqui pra vocês também.

Fomos morar em Dubai em Outubro de 2006 (como o tempo passou tão rápido???). Pra quem não sabe, Dubai não é país, é um emirado, um dos Emirados Árabes Unidos – em Inglês, UAE, United Arab Emirates, portanto, eu tinha que tirar um visto pro UAE e as regras lá são um tanto quanto diferentes. Acho que agora algumas coisas mudaram, cidadões de alguns países não precisam mais de visto de turista, mas antes todo mundo precisava e esse visto era obtido por… advinha quem? Pelo hotel que você  no qual você ia ficar. Só pra ficar registrado, nós, os brasileiros, como ferrados que somos, continuamos precisando desse visto.

Pois bem, o hotel passa a ser então o seu sponsor (“patrocinador”) e fica meio que responsável por você, pra que você não fique além do tempo que é de 30 dias. Nós ficamos num apart hotel e moramos nele o tempo em que estivemos lá, e aposto que vocês já podem imaginar que o inevitável aconteceu, eu passei dos 30 dias sem o visto de residência!

Meu marido tirou o visto  business dele e depois então eu tiraria o meu com ele sendo o meu sponsor. Claro, mulher não pode ficar largada assim por lá, tem que ter alguém que se responsabilize por ela… ele por sua vez tinha a empresa empregadora dele como sponsor e por aí vai. Todo mundo ‘pertence’ a alguém e os sponsor tem poderes até de reter teu passaporte e te ‘prender’ por lá. O seu sponsor é responsável até mesmo pela sua conduta enquanto você está por lá e também tem a obrigação de certificar-se que você vai sair do país quando o seu visto expirar.

Pois bem, o processo demorou, o meu visto expirou e o hotel queria me jogar pela janela. Além de ter que esperar o visto do maridex ficar pronto, depois ainda tive que fazer exame de sangue (de aids) que determinaria o meu direito ou não de ficar lá. Detalhe: o resultado veio todo em árabe, ou seja, só soube o resultado porque meu visto foi aceito. Ha!

Pois bem, fiz tudo isso e com o visto na mão, tinha que ir validá-lo ainda. Isso é feito da seguinte forma, você tem que sair do país e entrar de novo. Enquanto isso, o hotel foi notificado pelas entidades oficiais que ficaria proibido de receber novos hóspedes enquanto não se livra-se da pendência: EU! Foram apenas três dias em que fiquei pendente, mas nesses três dias fui caçada pelo hotel, eles ligavam pro meu quarto várias vezes ao dia, perguntando como andava o meu visto… Tá saindo, tá saindo.

No terceiro dia, lá fomos nós, com a ajuda de um amigo para Oman, validar o visto e me livrar da cobrança. O plano era o seguinte, ir a Oman, passar pela fronteira, levar os carimbos de saída do país, seguir pra Oman, carimbo de entrada no país, virar pra cabine do lado oposto, fazer a saída do país, fazer o retorno com o carro e entrar em Dubai de novo. E foi o que fizemos, essa sessão carimbos não durou nem 20 minutos. E depois foi fazer a viagem de volta. Olhem no mapa abaixo onde fica Dubai e onde fica Oman.

Gastamos umas boas horas fazendo esse trajeto de ida e volta. E enfim, o visto. Mas ainda não acabou a história! Tcha nam! De volta ao hotel, mostrei o visto, e eles tiraram xerox do meu passaporte, páginas da frente e página com o visto colado, entrada e saída do país registrada, tudo direitinho, e assim eles poderiam resolver lá o lado deles junto as autoridades.

No outro dia de manhã, me liga de novo a recepcionista, a página do meu passaporte não tinha numeração e sem a numeração eles iam precisar levar o passaporte para as autoridades lá verem. Aquele passaporte antigo, medonho brasileiro era uma porcaria, né? Não sei se é defeito do meu, ou se era geral, ele só tinha numeração nas páginas da metade pro fim. E me veio outro dilema, aliás dilema não, eu não tive dúvidas por nenhum minuto.

“Eu é que não entrego meu passaporte na mão do povo do hotel. Passaporte naquele país é algo muito mais do que importante, vai que perdem meu passaporte! Como é que eu vou tirar outro? Vou ficar presa aqui? De jeito nenhum.”

Respondi a mulher: “Se quiserem ver meu passaporte, bem, mas eu vou junto para mostrá-lo.”

E lá fui eu, com o gerente do hotel, no carro do hotel, escoltada por mais uns dois no tal do órgão, era o mesmo lugar onde fui pegar o visto. Chegando lá, mostrei o visto, ouvi os árabes falarem entre si uma graçinha ou outra, que não entendi, obviamente, e depois me trouxeram. Salvei o dia e pude voltar a tomar o café da manhã do hotel sem ser perturbada. :)

Mas valeu a pena, tudo vale a pena e é aprendizado, tenho mil e uma histórias de Dubai pra contar, qualquer dia escrevo mais. Nos divertimos muito por lá e tínhamos uma galera bem unida que deixou saudades.

Pra fechar o post, vou colocar uma foto que tirei de uma propaganda na rua. É um anúncio do Friends, o seriado mesmo, que ia começar a passar num canal lá. Na foto vocês não vão vêem a Jennifer Aniston ou o Matt Le Blanc, são uns homenzinhos vestidos à la Dubai, simulando uma das famosas cenas da série. Muito marotinhos… :)

O Caos Aéreo de Natal

Eu sei, meio atrasado isso, mas só agora que voltei de férias do Brasil que tenho vontade de postar. Afinal, férias são férias. E férias pra quem fica o ano inteiro longe da família tem que ser exclusivamente dedicado à família, passar tempo com eles, mesmo que não fazendo nada demais. Viajar, eu viajei o ano todo. Quando estou no Brasil quero é não fazer nada mesmo.

Mas voltando ao assunto, sim, férias de fim de ano. Aeroporto em Dezembro = engarrafamento, voo superlotados, atrasos, malas perdidas, malas levando uma hora para aparecer na esteira rolante, crianças chorando, famílias chorando ao se rever (isso eu acho bonitinho), gente chorando ao se despedir, comidas ruins e caras nas lanchonetes de aeroporto, fila no duty free… Tudo de bom! E esse ano, para melhorar, teve a neve!!! Oww quanta neve em Londres, em Paris, na Europa inteira…

Eu dei a sorte de vir uma semana antes da neve, então, só passei por todas as coisas descritas acima com a exceção da neve que causou cancelamento de vôos. Meu marido, coitado, não teve a mesma sorte e teve o vôo Londres – Paris cancelado e de lá ele pegaria o vôo Paris – Rio, este não foi cancelado. Vai lá entender…

E lá foi ele, passou 4 horas na fila de remarcação de vôo da airfrance, conseguiu, por sorte, um vôo da TAM pra SP com escala no Rio. Mas assim, foi com muita sorte mesmo, porque na fila tinha gente que tava remarcando a passagem pra dali há uma semana. Suspense até a hora que o check in fechava, e então ele e mais 5 gringos conseguiram vir pra terra do samba.

Enfim, no dia de buscá-lo, eu não sabia onde ele chegaria, nem com qual empresa, tudo isso eu só soube depois. Só sabia que ele ia chegar num vôo que vinha de São Paulo para o Rio. Podia ser Gol, Tam, o raio que o parta, enfim, acabei indo pro terminal certo e tudo acabou bem.

Durante toda a nossa estadia no Rio, vendo os jornais, só neve, neve, neve na Inglaterra. Todo dia isso no jornal. Enfim, quando o marido voltou, teve o vôo cancelado DE NOVO! E, eu, indo uma semana depois também tive o vôo cancelado em Paris. O mesmo vôo: Paris – Londres. A porcaria de um vôo que demora 45 minutos!

Fui encaminhada pra fila de remarcação de vôo já vendo estrelinhas. Afinal, eu acompanhei pelo telefone a saga do marido para remarcar o vôo dele. Até que não demorou muito, mas, na minha vez, eram 8:15 da manhã e a mulher queria me jogar num vôo que saía às 4:10 da tarde. Não aguentei e tive que dar uma de brasileira mesmo… mas assim eu não menti.

“Moça, eu to grávida de 3 meses. To enjoando, passando mal, será que não tem um vôo antes? Eu não vou aguentar até as 4 da tarde.” Sim, eu estou grávida mesmo, e não, eu não estava enjoando… mas também não estava me sentindo 100%…

Prontamente, ela já diz que tem um vôo que saía 12:30, falou com um supervisor no telefone e em menos de 10 segundos, eu estava marcado pro tal vôo. Mas no final, a facada “Na verdade, não sabemos se nenhum vôo sai daqui hoje pra Londres. 1. Os controladores de vôo aqui na França estão em greve, e 2. Está nevando também em Londres. “

Que lindo! Tudo que eu precisa ouvir. Ainda tentei descolar um lounge da airfrane, mas não rolou. Consegui foi o padrão que é um café da manhã, leia-se, um croissant e uma bebidinha, pela conta da air france. Resignada, dormi que nem indigente num sofá quadradinho perto do gate do meu vôo por 1 hora mais ou menos, depois catei minhas moedinhas de euro e fiquei na internet do aeroporto.

Para encurtar a história, dei onze horas, meu vôo já estava como atrasado, fui almoçar. Depois quando deu o novo horário, atraso de novo. No terceiro horário, 14:55, só uma horinha antes do primeiro vôo que ela me ofereceu, eu finalmente embarquei pra Londres.

Moral da história: Estou pensando seriamente em não ir no Brasil na época de Natal deste ano, não só pelos aeroportos, mas também pelo calor infernal ao qual não me acostumo mais. Ok, 44 graus, é coisa que ninguém se acostuma.

 "Nem na praia dá pra aliviar, Papai Noel!"

Mas então, como foi o natal de vocês?

Que país é esse?

 Quarta-feira, como qualquer pessoa que mora na Inglaterra sabe, é dia de cinema. Uma operadora de celulares daqui chamada Orange tem uma promoção 2 por 1. Ou seja, se você tem algum amigo que tem celular da Orange vai com ele ao cinema e paga meia.

Sabendo disso, temos contrato com a Orange, claro. Então lá fomos nós, assistir This Is It no Odeon da Marble Arch. Muito felizinha, comprei até combo de pipoca que vinha com camisa e pôster do filme. O filme foi legal, no começo pensei em chorar mas depois só consegui me concentrar em não cantar e nem dançar Beat It. Ah e também me perguntar o que fazia a Avril Lavigne no show do MJ… quem viu, vai entender. Saí do cinema, sem ter derramado uma lágrima. Isso é um feito para mim, afinal, eu sou a pessoa que chorou vendo Irmão Urso e American Pie 3. (Sim, eu sei, todo mundo se espanta mais com American Pie… é que a cena do casamento foi fofa…)

 Enfim, saí do mundo encantado do cinema para cair num caos completo. O som de buzinas era ensurdecedor. A Edgware Road estava toda parada, cheia de gente dentro de carros buzinando freneticamente, cantando e várias pessoas nas calçadas e nos carros agitando a bandeira abaixo.

Eu me perguntei: “Meu Deus! Que país é esse?” Fiquei com vontade de perguntar a um homem que gritava loucamente e segurava uma dessas bandeiras. Uma coisa era certa, tratava-se de um país árabe. Já habitei muito em país muçulmano para reconhecer a lua e a estrelinha juntos como símbolo muçulmano. E a animação era tanta, tantas pessoas tirando foto e filmando a algazarra que me fez pensar o que será que o tal país teria conquistado… independência? Até fogos de artifício soltaram… coisa que deixa o réveillon de Copacabana no chinelo! (ha ha Ok, exagerei nessa, admito.)

De um lado da rua começou um desfile de pessoas, estilo bloco de carnaval, com direito a um tambor e tudo e a polícia fazendo um cordão em volta do povo do tal país. Até que em cima de um dos carros, um ursinho de pelúcia respondeu a minha pergunta. O urso vestia uma blusa que nas costas dizia o nome do país: Algérie. Era a Algéria, gente! E a pergunta que não quer calar: De onde saiu tanto Algeriano em Londres???

E o grande feito? Se classificaram para a Copa do Mundo. O Brasil se classificar pra Copa pra gente é ‘não fazer mais do que obrigação’, mas pro várias países e como chegar na final e levar a taça pra casa. Final da história, o meu bus que passa toda hora demorou. E o primeiro passou e não parou. A viagem que leva 15 minutos regularmente demorou meia hora, Eu, que no começo achei graça da comemoração alheia, no fim já pensava ‘tomara que perca no primeiro jogo’. E quando a Argélia tomar uma surra na Copa, eu sei que vocês vão lembrar de mim!

O pub com internet grátis

Olá pessoas,

neste momento em que escrevo estou em um pub inglês que tem internet wireless de graça. Isso porque o meu provedor de internet escolhido, a BT, British Telecom, até agora ainda não estou a minha internet… por isso estou ausente. Quero muito escrever um post escrevendo sobre a mudança da Bélgica para cá. Mas vai ter que vir depois, quero colocar fotos e tudo mais, e isso, só sai mesmo quando escrevo no conforto da minha casa.

O resumo da minha situação agora é que estou em Londres há exatas duas semanas, estava chegando aqui num dominngo mesmo e nesse mesmo horário. Em menos de uma semana já havia realizado a proeza de conseguir um apartamento que fica perto de uma estação de metrô na zona 2, como queríamos. O apartamento é moderninho, chuveiro e box novinhos, vidro duplo, todo do jeito que gostamos, mas … é bem pequenininho… fazer o que, nem tudo é perfeito.

E o neste momento estou num pub inglês, usando internet de graça pra quem consome. Ou seja, compra um goró qualquer e, there you go, internet de graça. É só levar o seu laptop debaixo do braço e correr pro abraço.

Vou descrever aqui o lugar, porque acho que cada pub é uma experiência única e é uma das coisas que eu sentia falta na Inglaterra.  O pub por si só é diferente em uma coisa, só tem mulheres trabalhando aqui, a gerente e atendente. E são mulheres normais e as pessoas aqui parecem todas se conhecerem. Parece que o fato do business ser comandado por mulheres faz com que o público seja mais calminho.

A decoração é meio cara de casa, dois jogos de sofás, num deles estamos nós, uma mesa de sinuca à nossa esquerda e uma jukebox bem encostadinha aqui em mim. Várias mesas redondas e cadeiras espalhadas aleatoriamente. Lustres daqueles de ’cristaizinhos’ pendurados.  O cheiro é aquele cheiro de pub mesmo, acho que é cheiro de tapete levemente mofado, quem já esteve num pub tradicional vai saber do que eu estou falando. As pessoas aqui parecem todas se conhecerem, ouço conversas animadas de mulheres e de homens. Há também pessoas no balcão com sua bebida sozinhas, só observando a conversa alheia. A música é a mais variada, todas músicas que ouvi até agora devem ter pelo menos dez anos de idade e vão do brega ao rock farofa.

Algo que falta aqui, que tem em todos os outros pubs, é a presença de televisões flat screen com os jogos mais badalados do dia. Talvez seja esse o real motivo pelo qual o pub não está lotado de homens…

Ao chegar e fazer o meu pedido, a atendente cismou que me conhecia de algum lugar. Disse a ela que acabei de chegar em Londres. Ela mesmo assim insistiu em algumas outras possibilidades, perguntou-me de onde eu era, falei q era brasileira. Ela disse q tb era e que eu não parecia brasileira, e pelo sotaque, nem ela. Acho que deve ter sido criada aqui.

Daí, tivemos problemas pra conectar na internet e vieram dez mil pessoas aqui tentar nos ajudar, até que, a gerente apareceu e nos deu a senha certa…

Bem, por agora é isso, vou continuar curtindo a minha noite no pub. Bom resto de domingo para quem me lê.

p.s.: Acabou de começar a tocar Born In The U.S.A… Um CRÁSSICO!!! he he Alguém quer cantar junto comigo?

http://www.youtube.com/watch?v=tIekamBDiAw

Na vida, só mudanças…

Post rapidex e nada informativo como os demais até agora. Só vou contar um pouquinho de drama da minha mudança iminente.

Na verdade, não tem drama. Já estou tão acostumada, que vai ser só mais uma mudança… Mas mentiria se dissesse que não me dá um friozinho na barriga todas as vezes. É sempre a mesma coisa, limpar e entregar chaves de apartamento, fazer o milagre do encolhimento de bagagem, pesar constantemente as malas para evitar o sobrepeso,  entrar em sites de imobiliárias procurando um apartamento desesperadamente, essas coisinhas todas que fazem parte da minha vida.

Estamos já em estágio avançado. Hoje o maridão já foi dar a saidinha despedida com o pessoal no trabalho, bebidinha, coisa e tal. Eu já tenho uma mala quase fechada e incrivelmente quase metade das minhas roupas couberam nela. Como eu sei que milagres não existem, e as minhas duas malas vieram explodindo, não estou me deixando levar pela emoção de ter ‘espaço sobrando’. Afinal, o que veio está voltando, sem contar com as coisas que comprei por aqui.

Tenho comido todo o chocolate que ainda anda perdido pela casa. Vejam bem, não só comendo chocolate pelo nervosinho, mas também para evitar o desperdício… Aliás, vai sobrar cerveja aqui que não vamos beber a tempo… vai ser com muito dó que terei de jogá-las fora. Mas me dói mais ainda me desfazer de chocolate, ainda mais depois de ter a bela notícia da minha landlady que vamos ter que sair um dia antes do combinado, por que ela supostamente já arrumou outro tentant (que estranhamente, não veio ver o apartamento e já vai se mudar no domingo). Daí lá vou eu, catar hotel pra passar uma noite.

O bom da história do hotel é que vou me livrar da árdua tarefa de conseguir um taxi aqui. Já que dormindo no hotel, já peço pra recepcionista pedi-lo pra mim um dia antes. Vocês podem se perguntar: por que raios esse medo de pedir um taxi? Fácil, por que depois de quase quatro meses morando aqui, eu nunca aprendi a falar o nome da minha rua. Tá rindo? Achando que é fácil e eu que sou limitada? Então lá vai o nome, que agora eu consigo escrever sem precisar copiar: H U N D E L G E M S E S T E E N W E G!  Ufa! E não importa o quanto eu tente, eles vão sempre falar diferente.

Depois dessa confissão de total ignorância e falta de esforço para aprender o Flemish, vou voltar a fazer malas. Me desejem boa mudança!

Só pra terminar, uma fotinho de 2006,numa dessas mudanças de país. Tinha acabado de morar no Egito (olha que moreninha… e gordinha!), passando por Amsterdam antes de ir pra Portugal. Detalhe para a casa de cansada e o ânimo de voltar pro aeroporto…

Esta foto foi tirada na estação de trem de Amsterdam. E por que minha vida é mudança constante, achei que essa foto seria legal pra fechar o post. Até o próximo! Espero ter uma casa até lá.

amsterdam station

Há três anos atrás numa das nossas indas e vindas - Amsterdam Centraal

Ja Ja Ja

Na minha infindável procura por algo que seja Belga, inicío o meu segundo post já com uma seção você sabia: Você lembra  do Technotronic (aquele do Pump up the jam, Pump it Up, Pump it Up…)? Vídeo abaixo pra quem esqueceu ou tem menos de 20 anos:   Então, eles são belgas!!!! Yay! Não? Eles não são belgas? Mas foi o que me disseram! Ahhhhh! Na verdade, foi um projeto musical de estúdio criado por um Belga mesmo. Mas, a cantora não é a pessoa que aparece no vídeo, essa do clipe é uma modelo do Congo.

E falando em Congo, aqui há muitos imigrantes provenientes deste país. Pode-se dizer que os imigrantes na Bélgica são em maioria esmagadora africanos, a maior parte vinda do Congo,  antiga colônia deles, e Turcos. Há bairros que são praticamente uma mini Turquia. Aqui mesmo perto de onde moro tem uma comunidade turca. Acaba sendo um pequeno revival da minha temporada em Istanbul neste ano.

Diferentemente da Inglaterra, vejo que a Bélgica não procura muito integrar essa galera ao convívio deles. Logo quando cheguei aqui, vi o símbolo nazi pixado em viadutos, o que me assustou um pouco. Tinha lido qualquer coisa na internet sobre isso. O partido de extrema direita deles ganhou força considerável nas últimas eleições da região do Flanders. Onde eu moro! Lucky me! 

O partido em questão defende uma política de antimulticulturalismo. Entre outras coisas propoem controles de imigração mais fortes e até mesmo um limite no número de mesquitas em Flanders e a deportação dos imigrantes que não se integrem. Não sei bem como essa integração seria definida. Porém, não taquem pedras por que nosso telhado é de vidro… Saiu no jornal O GLOBO desse último domingo, que segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano, do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), apenas 9% dos brasileiros são favoráveis à liberação da entrada de estrangeiros no país.

Mas voltando ao partido belga de que falávamos… O que distingue este ‘adorável’ partido dos demais de extrema direita da Europa é que, além do costumeiro nacionalismo extremo, eles defendem a separação da região de Flanders do resto da Bélgica, ou seja, de Bruxelas e da região da Walônia. E acho que daí vem a sua popularidade. Há muito tempo eles querem se separar. A rivalidade entre eles é algo pior do que Rio X São Paulo! Dá pra imaginar???  

E, olhe que salada! A Bélgica, um país pequenininho, de 30 528 km2, – só o estado do Rio de Janeiro tem 43.696 km2- tem basicamente três regiões distintas: Bruxelas, a capital, que fala francês; Flanders, que fala Flemish, um dialeto do holandês, e é a parte mais rica; e, por fim, a Valônia, que fala francês, parte mais pobre. (Falar língua que venha do Latim passa azar… anotem o que eu digo!) Ah! E ainda tem uma partezinha que fala alemão, a parte que fica perto da fronteira entre Alemanha e Bélgica. Vejam o mapinha linguístico deles! Uma graça!

Mapa linguístico da Bélgica

Mapa linguístico da Bélgica

 

 E como sempre, a parte mais rica quer se livrar da parte mais pobre. Mas, o que fazer com Bruxelas? Bruxelas fala francês, é a capital, cidade mais habitada e apesar de falar francês… é rica. Minha teoria é que por isso eles não conseguiram se separar até agora… quem vai ficar com Bruxelas?

Pra nós, brasileiros, é inconcebível e difícil de entender mais de uma língua em um só país. Afinal, nós somos um milagre linguístico. Um país do tamanho do nosso, todos falam a mesma língua, e apesar dos diferentes sotaques, todo mundo se entende. A língua realmente define um país e a pluralidade de línguas acaba fazendo vários países dentro de um país. Contudo, eu defendo a união. Preferia que a Bélgica continuasse unida, mas nos resta apenas ver as cenas dos próximos capítulos.

Agora que você sabe um pouco mais da Bélgica, quando te perguntarem: ‘Os Belgas inventaram a batata-frita?’ Responda ‘Ja ja ja!’ (os Belga sempre falam sim três vezes! ) Vai que ele é um belga doido pra testar o quanto você sabe do pais dele.

nota: ja ja ja se pronuncia iá iá iá.

Bandeira da Bélgica - parece a da Alemanha, mas não é! As listras são verticais.

Bandeira da Bélgica - parece a da Alemanha, mas não é! As listras são verticais.

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